quinta-feira, 20 de março de 2014

ASSÉDIO MORAL



ASSÉDIO MORAL – A IMPORTÂNCIA DA PROVA

Jorge Luiz de Oliveira da Silva*

No mundo jurídico o tema "prova" é de essencial importância. Nada pode ser
movimentado na Justiça, nada pode ser pleiteado em juízo, se o destinatário do direito
não possuir o mínimo de aporte probatório necessário a comprovar o direito alegado.
Até mesmo nas hipóteses clássicas onde a lei estabelece a inversão do ônus da
prova (Lei nº 8.078/1990 – art. 6º, VIII, por exemplo), não significa dizer que o julgador
decidirá exclusivamente com base nas meras alegações do autor da ação, tendo este
que demonstrar inicialmente a verossimilhança de suas alegações. Na hipótese, por
exemplo, da responsabilidade civil objetiva, atribuída ao Estado pelo art. 37 § 6º da
Constituição Federal, terá o terceiro prejudicado que demonstrar, através de provas, a
lesão por ele suportada (moral e/ou material) além da relação de causalidade entre
esta e a atuação do Estado, ainda que independente de ter sido esta dolosa ou
culposa.
Desta forma, meras alegações sem nenhum suporte probatório, direto ou
indireto, não possuem o condão de consagrar direitos pleiteados. Trata-se, pois, de
regra básica atinente ao Estado Democrático de Direito, pois estaríamos diante do
caos jurídico se houvesse tal possibilidade, onde uma pessoa simplesmente alegaria
determinado fato e se revestiria automaticamente dos benefícios a ele correlatos.
Levantamos esta importante questão em razão da posição do representante de
um Sindicato, que comigo participou de evento que discutia o assédio moral no
ambiente de trabalho. Após minha intervenção, onde alertava aos presentes acerca da
importância da vítima do assédio moral angariar todas as provas possíveis que
possam demonstrar a formatação do fenômeno e suas conseqüências, o sindicalista
que participava dos debates manifestou sua discordância com minha posição,
conclamando a todos que se sintam vítimas de assédio moral a recorrer ao Judiciário,
ainda que não tenham nenhum tipo de prova, o que segundo ele seria "visto durante o
processo".
É certo que o TST já decidiu que o ônus da prova no Direito do Trabalho não
cabe necessariamente à parte que alega o fato (RR 649939/2000). No entanto, tal
decisão deve ser aplicada somente quando a parte contrária é detentora de
documentos que comprovam as alegações da reclamante. São casos típicos
relacionados a controle de ponto, recibos e outros documentos de mesma natureza.
Se tais documentos puderem, de alguma forma, comprovar o assédio moral, aí sim
poderiam ser requisitados para comprovar o alegado. No entanto, dada a
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complexidade de conformação do assédio moral, outras provas mais específicas e
decisivas devem ser produzidas pela pretensa vítima, para que possa embasar seu
pedido de forma concreta.
As discussões que envolvem o assédio moral são personalizadas pela
complexidade. O sistema jurídico pátrio, apesar das leis a respeito, em âmbito
estadual e municipal (direcionadas à Administração Pública) e dos imprecisos e
impróprios Projetos de Lei em tramitação, ainda não está totalmente preparado para
desenvolver uma visualização perfeita em relação ao fenômeno. Apreciando as
decisões sobre o tema, proferidas pelos Tribunais Regionais do Trabalho, percebemos
que os magistrados confundem o assédio moral no ambiente de trabalho com
ocorrências similares, mas que não se enquadrariam como tal. Exemplo típico é o
reconhecimento de assédio moral nas hipóteses onde, na verdade, ocorre assédio
ambiental ou institucional (políticas de gestão empresarial truculenta e afrontante à
dignidade da pessoa humana, direcionadas ao grupo de trabalhadores em geral e não
à determinada pessoa). Outro exemplo se refere às decisões que reconhecem o
assédio moral quando na verdade ocorreu uma mera ofensa isolada. Ainda que tais
comportamentos tenham o potencial de causar danos relevantes ao trabalhador, na
ordem moral e material, não se constituem em assédio moral, por ser este um
processo, composto por comportamentos ofensivos reiterados, direcionado à
determinada pessoa ou a determinado grupo individualizável.
Neste contexto, o fenômeno do assédio moral necessita do que denominamos
visibilidade social e visibilidade jurídica. Somente cumprindo esse caminho o assédio
moral irá se consolidar no mundo jurídico como fenômeno definitivamente
reconhecido.
Desta forma, se a pessoa que se diz vítima do processo de psicoterror laboral
bate às portas do Judiciário com meras alegações, destituídas do mínimo conteúdo
probatório capaz de emoldurar suas postulações, não só terá rechaçada sua
pretensão, como também contribuirá para o enfraquecimento do fenômeno. A
conseqüência da reiteração de tais ocorrências será o descrédito que pairará sobre a
temática, estabelecendo nos julgadores justificada desconfiança em relação a outras
postulações envolvendo o assédio moral, ainda que alicerçadas em provas
contundentes.
Vale citar as precisas considerações de Júlio Ricardo de Paula Amaral,
comentando a posição de Manuel Antônio Teixeira Filho, (disponível em
http://www.ufsm.br/direito/artigos/trabalho/limitacoes.htm):
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Para Manoel Antônio Teixeira Filho, não haverá incidência da regra do in dubio
pro operario em matéria probatória, tendo em vista que ou a prova existe ou não se
prova. A insuficiência de prova gera a improcedência do pedido e, portanto, o
resultado será desfavorável àquele que detinha o ônus da prova, seja ele o
empregado seja ele o empregado. Por outro lado, se ambos os litigantes produzirem
as suas provas e esta ficar dividida, deverá o magistrado utilizar-se do princípio da
persuasão racional, decidindo-se pela adoção da prova que melhor lhe convenceu,
nunca pendendo-se pela utilização da in dubio pro operario, já que neste campo não
há qualquer eficácia desta norma.
Não se pode conceber, portanto, que o acesso à Justiça, amplamente
consagrado em nossa Carta Constitucional e implementado por legislações
infraconstitucionais posteriores, seja impulsionado de forma irresponsável e sem
fundamentos. Aceitar a tese suicida de que primeiro se deva provocar o Judiciário para
somente no curso do processo verificar se é possível ou não arrebanhar algum tipo de
prova que venha estabelecer a visualização do assédio moral é revelar o oportunismo
e a má fé incompatíveis com a posição da Justiça no Estado Democrático de Direito.
Preocupo-me, pois, com tais procedimentos que, muitas vezes, maculam o nome
de pessoas físicas e jurídicas sem nenhum fundamento, além de enfraquecer a
perfeita delineação do assédio moral enquanto instituto jurídico pendente de
consolidação.
Assim, a vítima tão logo perceba o desenvolvimento de um processo de assédio
moral, deverá catalogar todas as provas necessárias à demonstração futura de tal
situação. Bilhetes, memorandos, anotações referentes a datas e eventos relacionados,
testemunhas, gravações, laudos médicos etc.
Sempre é bom salientar que não há ilicitude algum em se gravar as ofensas, na
hipótese de ser a vítima um dos elementos interlocutores. O que jamais poderá ser
considerado como prova ilícita, tendo inclusive o potencial para responsabilizar seus
autores, é a gravação de conversa alheia, a interceptação telefônica ou o documento
ou escrito conseguido de forma fraudulenta ou lesiva.
No entanto, o objetivo do presente artigo não é enumerar e desenvolver as
diversas hipóteses de provas envolvendo situações de assédio moral, tema este que
cuidaremos futuramente, mas alertar acerca dos fatores negativos relacionados às
demandas temerárias e inconsistentes relativas ao psicoterror laboral.
Logo, de nada adiantará se levar adiante a pretensão de reconhecimento do
assédio moral se houver o mínimo de conteúdo probatório necessário a demonstrar a
situação em juízo. Sabemos que muitas vezes o processo de assédio moral realmente
ocorreu, mas se a vítima não possui a mínima condição de arrebanhar as provas
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necessárias a comprovar o alegado, uma demanda judicial somente lhe trará
dissabores e desgastes, contribuindo de forma negativa para a consolidação do
fenômeno no mundo jurídico.
Neste contexto, a magistral lição de Voltaire não pode ser esquecida:
O interesse que tenho em acreditar numa coisa não é prova da existência dessa
coisa.
Desta forma é importante que discutamos as experiências das vítimas de assédio
moral, até mesmo para fins de estatísticas e formatação do fenômeno. No entanto, a
busca do Judiciário para reconhecimento do ressarcimento dos prejuízos suportados,
na órbita moral e/ou material, só deve ser envidada quando a vítima efetivamente
possui alguma substancialidade em termos de provas a demonstrar os pontos
relevantes do evento lesivo. Cabe, portanto, ao advogado analisar a hipótese e bem
orientar seu cliente a respeito, contribuindo desta forma para o desenvolvimento,
consolidação e credibilidade do assédio moral, como processo carreador de relevante
potencial lesivo, não só ao trabalhador como também em relação a toda sociedade.

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* Jorge Luiz de Oliveira da Silva é autor do livro "Assédio Moral no Ambiente de Trabalho",

Assessor Jurídico do Comando do Exército e Professor de Criminologia e Direito Processual
Penal da Universidade Estácio de Sá. Mestre em Direito Público e Evolução Social (UNESA),
Pós-Graduado em Direito Penal e Processual Penal (UNESA), Pós-Graduado em Docência
Superior (ISEP) e Graduado em Ciências Jurídicas e Sociais pela UFRJ. (Contato:
profjorgeluiz@globo.com).

quarta-feira, 19 de março de 2014

LIBERTADORES DA AMÉRICA 2014

Rio de Janeiro, 19 de março de 2014


Jefferson salva, Botafogo vence time equatoriano e assume a liderança isolada

Goleiro evita empate no segundo tempo e alvinegro carioca vence Del Valle por 1 a 0

Tags: botafogorj 

Publicação:

19/03/2014 00:19
  

Atualização:

19/03/2014 00:33
Ferreyra festeja o gol da vitória apertada do Botafogo e é perseguido por Jorge Vagner e Wallsyson (AFP PHOTO/YASUYOSHI CHIBA )
Ferreyra festeja o gol da vitória apertada do Botafogo e é perseguido por Jorge Vagner e Wallsyson

O Botafogo assumiu a liderança do Grupo 2 da Copa Libertadores, ao derrotar o Independiente Del Valle, do Equador, por 1 a 0, em partida disputada na noite desta terça-feira, no Maracanã. O único gol do jogo foi marcado por Ferreyra, aos dois minutos do primeiro tempo.

O resultado fez a equipe alvinegra chegar aos sete pontos ganhos, enquanto o Independiente segue com quatro pontos, na segunda posição.

A vitória foi muito sofrida para a torcida botafoguense. O time de General Severiano caiu de produção no segundo tempo e sofreu grande pressão da equipe equatoriana que criou algumas chances para empatar. O goleiro Jefferson apareceu em momentos importantes para salvar o time e acabou se tornando o destaque da partida.

O jogo
O Botafogo começou a partida no ritmo da empolgada torcida e, logo aos dois minutos, marcou o primeiro gol. Lucas recebeu na direita e fez um cruzamento preciso na cabeça de Ferreyra. E o Tanque colocou a bola nas redes de Azcona que saltou,mas não conseguiu fazer a defesa.

Em desvantagem, a equipe equatoriana tentou partir para a reação, adiantando seus jogadores de meio campo para criar dificuldades para o time de General Severiano.Aos seis minutos, depois de uma boa triangulação na entrada da área, a bola foi lançada para González que bateu cruzado, mas Jéfferson salvou com os pés, evitando o gol de empate.

Depois de passar alguns minutos suportando a pressão equatoriana, o Botafogo voltou ao ataque e, aos dez minutos, Gabriel arriscou da intermediária, mas a bola saiu. Aos 11 minutos, a defesa do Independiente se atrapalhou ao tentar afastar o perigo da sua área e proporcionou um momento de grande perigo.Jorge Wagner bateu cruzado e a zaga salvou.

O time dirigido por Eduardo Hungaro atuava com grande intensidade e, aos 16 minutos, após lançamento de Júlio César, o goleiro Azcona foi obrigado a sair para evitar a conclusão de Ferreyra.

A equipe visitante mostrava muita lentidão nas manobras ofensivas e permitia que o time brasileiro se reorganizasse defensivamente. Só aos 22 minutos é que o Independiente voltou a assustar. Rizzoto cruzou da direita e Jéfferson desviou para escanteio. Na cobrança, o zagueiro Lamas subiu mais do que os defensores alvinegros, mas cabeceou por cima do travessão.

O Botafogo começou a perder o controle do meio campo. Os atacantes Wallyson e Ferreyra, muito isolados na frente, quase não recebiam a bola em boas condições e levavam desvantagem no duelo com os zagueiros.

Sem Edilson e Bolívar, suspensos, a defesa alvinegra mostrava insegurança e encontrava dificuldades para bloquear as jogadas aéreas da equipe equatoriana. Aos 37 minutos, o lateral-esquerdo Júlio César investiu pelo meio, em jogada individual, e foi derrubado. Na cobrança, o goleiro Azcona saiu para aliviar o perigo de soco e derrubou o atacante Ferreyra e o zagueiro Lamas, mas o árbitro nada viu de irregular no lance.

Aos 43 minutos, após troca de passes na esquerda do ataque do Independiente, a bola foi lançada para Lamas que tocou de bico. A bola desviou em Dankler e saiu, dando grande susto no goleiro Jéfferson.

Logo depois,o Botafogo arrancou em velocidade e Jorge Wagner arriscou, de fora da área. A bola explodiu no travessão para sorte de Azcona que estava inteiramente batido.

Os dois times voltaram sem modificações para o segundo tempo e o Independiente adiantou suas linhas para tentar empurrar o Botafogo para trás, mas o time dirigido por Eduardo Hungaro buscava manter o ritmo inicial. Aos dois minutos, Lodeiro chutou com perigo, mas a bola desviou na zaga e encobriu a trave. Na cobrança, a bola caiu novamente nos pés do meia uruguaio que chutou sem direção.

Aos seis minutos. a equipe alvinegra trocou passes em velocidade e Jorge Wagner concluiu com perigo para o gol de Azcona. Aos oito minutos, Lodeiro carregou a bola em velocidade, lançou Ferreyra na direita. O atacante argentino cruzou para tentar buscar Wallyson na área, mas o goleiro Azcona cortou o passe. O goleiro da equipe equatoriana voltou a aparecer bem em cruzamento que buscava Ferreyra na pequena área.

Aos 14 minutos, depois de jogada confusa na entrada da área alvinegra, a bola sobrou para Guerrero que chutou com grande perigo. A resposta da equipe de General Severiano veio no minuto seguinte, mas Wallyson desperdiçou a chance, chutando muito mal, na sua última participação do jogo. Logo depois, o atacante foi substituído por Cidinho e mostrou muita irritação com a decisão do treinador.

O time equatoriano aumentou a intensidade do ataque e, aos 28 minutos, depois de grande pressão, Guerrero chutou, a bola desviou em Dória e Jefferson conseguiu salvar, em defesa de puro reflexo.

O time do Independiente buscava o gol do empate, enquanto o Botafogo se defendia de qualquer forma, apelando seguidamente para os chutões para afastar o perigo da área. Aos 34 minutos, Dória impediu que Angulo concluísse com liberdade. O técnico Eduardo Hungaro colocou Bolatti e Junior Cesar em campo para tentar segurar a pressão equatoriana.

Nos minutos finais, o Botafogo perdeu qualquer ambição ofensiva e recuou para defender o resultado. Jefferson voltou a evitar o gol do empate aos 44 minutos e, aos 45, Jorge Wagner voltou a acertar o travessão em chute da intermediária, no último lance importante do jogo.

BOTAFOGO 1 X 0 INDEPENDIENTE DEL VALLE 

BOTAFOGO
Jéfferson, Lucas(Junior Cesar), Dória, Dankler e Julio Cesar; Marcelo Mattos, Gabriel(Bolatti), Jorge Wagner e Lodeiro; Wallyson(Cidinho) e Tanque Ferreyra
Técnico: Eduardo Húngaro

INDEPENDIENTE DEL VALLE
Azcona, Núñez, Lamas(Julio Angulo), Fernando León, Pineida, Rizzoto, Henry León(Orejuela), González, Guerrero(Solis), Sornoza e Angulo
Técnico: Pablo Repetto

Local: Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ)
Data: 18 de março de 2014 (Terça-feira)
Árbitro: Darío Ubriaco (Uruguai)
Assistentes: Carlos Pastorino (Uruguai) e Gabriel Popovits (Uruguai)
Cartões Amarelos: Ferreyra, Gabriel, Jorge Wagner(Botafogo); Henry León, Nuñez(Independiente)
Gol: Ferreyra, aos dois minutos do primeiro tempo
público      23.347

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

ONDE VAMOS PARAR?



Rio de janeiro, 23 de janeiro de 2014

O que esta acontecendo com o Brasil?

País sem Lei, sem Ordem. Os governantes estão deixando o barco a deriva.
Não se pune ninguém comete crime neste País.
A lei que favorece o menor esta conduzindo os jovens a cada vez mais se tornarem marginais e não tem como frear esta juventude marginalizada que esta se produzindo em massa.
Somente com uma mudança rigorosa na lei é que as coisas vão começar a entrar nos eixos.
temos que prestar muita atenção nos nossos políticos e estudar as idéias e as suas origens, fazer valer com respeito os nossos votos, cobrar sempre, para que os governantes vejam que o povo não esta dormindo.
Nosso Brasil esta cada vez mais arruinado, não tem Saúde, Educação e nem Segurança.  temos que nos mobilizarmos com sabedoria, expulsando aqueles que querem se aproveitar para praticar o vandalismo quando o povo luta pelo melhor para o país. Não permitir que em movimento popular se envolva partidos políticos. o movimento é do povo para o povo e não para promover políticos e vândalos, que as vezes são contratados destes partidos que só querem o poder para poderem praticar crimes contra a nação e saírem impunes. Isto tem que acabar, se queremos um País respeitado, temos que nos fazer respeitar.

Delair,
23/ 01/ 2014.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

LULA APOIA DILMA NOVAMENTE.


Lula apoia Dilma como sua candidata para 2014

1/7/2013 11:20
Por Redação - de São Paulo

Lula (D) e José Graziano conversam momentos antes da reunião com líderes africanos
Lula (D) e José Graziano conversam momentos antes da reunião com líderes africanos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em entrevista divulgada nesta segunda-feira, afirmou que não será candidato à Presidência da República em 2014 e que a presidenta Dilma Rousseff é a sua candidata à reeleição. Lula aponta Dilma como sua sucessora e afirmou que a presidenta não demorou para ouvir as vozes da rua. A pesquisa Datafolha divulgada neste sábado mostrou que Dilma também perdeu intenção de votos e caiu de 51% para 30%. A mesma pesquisa mostrou que Lula teria melhor desempenho que Dilma na eleição presidencial de 2014.
As declarações foram tomadas na noite passada, após o primeiro dia do encontro Novas abordagens unificadas para erradicar a fome na África, promovido pelo Instituto Lula, pela União Africana e pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) em Adis Abeba, capital da Etiópia.
Pela manhã, Lula explicou o que estava acontecendo no país, ao discursar a uma plateia composta por ministros, políticos e integrantes de Ongs de diferentes países africanos. O ex-presidente elogiou Dilma, ao afirmar que a sucessora teve um comportamento ‘extraordinário’ e foi solidária em relação às manifestações que acontecem em todo o país.
Leia a íntegra da entrevista concedida ao jornal de economia Valor, de propriedade cruzada entre os diários conservadores Folha de S.Paulo e O Globo:
– Como o senhor viu essas manifestações? O que levou as pessoas às ruas?
– Eu acho que no Brasil temos prefeitos, governadores, presidente da República… Eu sou um curioso nesse aspecto. A primeira coisa que eu acho é que toda vez que um povo se manifesta é sempre muito importante. Acho que democracia exige que o povo esteja sempre em movimento, em manifestação, sempre reivindicando alguma coisa. As reivindicações que o povo está fazendo, de melhoria de transporte, de saúde, de educação isso é próprio do processo de crescimento que o Brasil vem enfrentando. Se você analisar que em dez anos mais do que dobrou o número de universitários no Brasil e de alunos nas escolas técnicas, e que houve a evolução social de uma camada da sociedade, essas pessoas cada vez mais querem mais. É assim. Quando aconteceu a greve dos metalúrgicos em 1978 as pessoas se perguntavam por que os trabalhadores fizeram greve. Eu dizia: porque eles tinham aprendido a comer um bife e estavam tirando o bife deles! Começaram a brigar para não perder o bife! Na medida em que as pessoas tiveram uma evolução social, é normal que elas queiram mais coisa. De vez em quando as pessoas reclamam que os aeroportos estão cheios. É lógico que tem que estar cheio! Em 2007 você tinha 48 milhões de passageiros voando de avião. Hoje você tem 101 milhões de passageiros. Obviamente que vai ter gente brigando. Você não tem [briga de passageiros] de ônibus, porque a quantidade de passageiros que andavam de ônibus em 2007 é a mesma de 2012. Na medida em que as pessoas vão evoluindo vão querendo mais. Eu acho importante. Eu acho que se as pessoas questionam custo da Copa as pessoas que organizaram, que contrataram tem que mostrar. Não tem nenhum problema fazer esse debate com a sociedade. E é fazendo o debate que você separa o joio do trigo. Quem quer realmente debater, está interessado em fazer coisa séria e aquilo que é justo. Nesse aspecto Dilma tem tido um comportamento importante. De entender o movimento, tentar dialogar com o movimento e construir as propostas possíveis. Se a gente tiver qualquer preocupação com o exercício da democracia é muito ruim.
– O senhor se reuniu com Dilma e Haddad durante a crise. O que o senhor disse a eles? Faltou ouvir as ruas?
– A coisa que o Haddad mais ouviu foi as ruas. Ele tinha acabado de sair de uma eleição. Primeiro ele ganhou as eleições por causa da proposta de transporte que fez para São Paulo, que era para novembro, mas talvez ele antecipe, não sei se tem condições de antecipar (proposta do Bilhete Único Mensal). A propaganda do Haddad era a seguinte: da porta para dentro muita coisa melhorou nesse país, mas da porta para fora nada foi feito. E ele dizia que em São Paulo em oito anos não havia sido feito nenhum corredor de ônibus. Ninguém pode, em sã consciência, nem o prefeito, nem o vice-prefeito, nem um cidadão qualquer dizer que o transporte em São Paulo é de qualidade. O metrô era de qualidade quando andava pouca gente, quando tinha condição de sentar. Mas agora que você tem passageiro para três vagões andando em um vagão, vai piorando a qualidade. O que eu acho que pode acontecer no Brasil é as pessoas se convencerem que de quando em quando gente precisa refletir sobre o que está acontecendo, conversar com as pessoas e tentar construir aquilo que precisa ser construído. É por isso que elogiei o comportamento da Dilma nessas coisas. Ela humildemente foi conversar com todos os segmentos da sociedade. Não se recusou a conversar com nenhum.
– Não demorou muito para fazer isso?
– Não demorou. Ela conversou no momento certo. Não poderia ter conversado antes, para discutir qualquer movimentação. O que a gente tem que entender é o seguinte: a realidade no mundo é outra, o povo está mais exigente, está tendo cada vez mais acesso a informação. Hoje o povo não precisa esperar o jornal no dia seguinte, a televisão à noite. As pessoas estão acompanhando as coisas 24 horas por dia. As pessoas não estão mais lendo notícia. Estão fazendo notícia. Eu acho que essa coisa é que é interessante. Nesse momento só tem uma solução: é pensar, conversar e começar a colocar em prática coisas que sejam resultado das discussões com a sociedade.
– O senhor concorda com essa proposta de plebiscito sobre reforma politica? O senhor ficou irritado com o fato de a presidente ter consultado o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso?
– Eu não posso fazer julgamento de acordo feito entre partidos políticos. Cada partido esteve representado com seu presidente e eles decidiram fazer o que tinham que fazer e vão colocar em prática. Não sei como é que vão colocar em prática, mas vão colocar. Nós temos o direito de conversar com quem bem entenda. Eu até agora não ouvir dizer que Dilma conversou com Fernando Henrique Cardoso. Ouvi setores da imprensa dizendo que ela conversou, o que ela não confirmou em nenhum momento. Mas conversar com FHC, com Sarney, com Collor, com Lula, é a coisa mais natural que um presidente tem que fazer. É conversar com as pessoas. É o seguinte: o Brasil vive um momento extraordinário de afirmação de sua democracia. Somos um país muito novo no exercício da democracia. Se você quiser pegar a eleição do Sarney como paradigma ou a aprovação da Constituição em 1988 temos 25 anos de democracia contínua. É o período mais longo. É normal que a sociedade esteja como uma metamorfose ambulante, se modificando a cada momento. É muito bom para o Brasil.
– Mas não preocupa o abalo na popularidade da presidente, que caiu 30 pontos percentuais desde o inicio do mês?
– Veja, querida, não me preocupa. Se tem um cidadão que já subiu e desceu em pesquisa fui eu. Em 1989 teve um dia no mês de junho que eu queria desistir de ser candidato porque eu tinha caído tanto que ia sair devendo para o Ibope (risos). Então eu cheguei a pensar em desistir porque não tem como eu pagar voto. Só tenho o meu. E depois com tantos figurões disputando a eleição fui eu que fui para o segundo turno. A Dilma é a mais importante candidata que nós temos, a melhor. Não tem ninguém igual a ela para ser candidata à Presidência da República. Portanto ela será a minha candidata.
– O senhor volta em 2014?
– Não.